quinta-feira, 3 de junho de 2010

Dança x Profissão



ENTREVISTA // Ludmila Pessoa
A gente que quer dançar precisa beber de várias fontes, como faz o escritor, o ator, etc.”

Ludmila Pessoa, 22, se considera bailarina há 4 anos mas dança desde dos 9 anos. Ela fala de suas aprendizagens com humildade, afirma que nem todo mundo que dança é bailarino e confirma que viver de dança é sim uma profissão tal qual qualquer outra.

PE NA PONTA - Qual foi seu primeiro contato com a dança?

LUDMILA PESSOA - Meu primeiro contato com a dança foi numa academia que fica perto da minha casa, eu tinha 9 anos, aproximadamente. À princípio, as aulas seriam de ballet, mas a professora propôs aulas de dança em geral e terminamos dançando “É o Tchan”. (risos) O curso acabou e ninguém sabia o que era frevo, maracatu, coco e muito menos ballet clássico. Anos depois, comecei a fazer ginástica rítmica mas depois mudei para a dança de salão e permaneci até os 13 anos. Passei um tempo parada e só aos 18 anos que decidi voltar a dançar e entrei num grupo de dança contemporânea.

PP - Há quanto tempo você vive de dança?
LP - Eu pensava em ser “alguém” na vida, estudava pra concurso e vestibular, mas sempre tinha a dança dentro de mim. Até que aos 19 anos, encontrei a Cia dos Homens e pronto! Desisti de tudo e disse que ia dançar. A culpada disso tudo se chama Cláudia São Bento. Ela me mostrou que dança realmente é coisa séria, que se estuda pra aprender, que exige dedicação, amor, disciplina. Mas viver de dança mesmo, eu considero desde que decidi ser bailarina. Em setembro completam 4 anos.
PP - O que é ser uma bailarina?
LP - Um bailarino precisa de conhecimento de várias coisas. Ele não pode se limitar a um tipo de dança. A gente que quer dançar precisa beber de várias fontes, como faz o escritor, o ator, etc. Assim a gente tem um domínio do que se decide fazer dentro da dança e ganha uma independência maior.
PP - Em que momento você se viu pronta para ensinar suas aprendizagens?
LP - Comecei a estudar muito. Fui atrás de livros, aulas... Fiz muitas aulas de contemporânea, frevo, teatro, circo e sempre ballet clássico. Ano passado, fui chamada para fazer parte de um projeto da prefeitura e dar aula de dança para crianças. Deixei bem claro que só ensinaria o que realmente aprendi e só passo aos meus alunos aquilo que está dentro da minha sabedoria e conhecimento. Mas também, ter a humildade e disposição de aprender sempre!
PP - Onde você dá aula? Como é a recepção dos seus alunos?
LP - Eu dou aula uma vez na semana, na Escola Magalhães Bastos, Várzea. Quando termina a aula todos me abraçam e dizem que não querem que acabe e que vai demorar muito para a próxima aula. São crianças pobres, carentes, que encontram nas aulas um mundo diferente e os fazem respirar um ar que leva prazer para eles. É de fato o que eles precisam!
PP - Qual a maior dificuldade que um bailarino profissional sofre com o mundo atual? Preconceito, reconhecimento, valorização...

LP - Acho que o que mais grita como dificuldade, para mim, é o preconceito. Tem muita gente que ainda pensa na coisa do “modelo social”, que para ser alguém você precisa ter algo e que para ser bailarino não precisa estudar e nem se ganha dinheiro. E sim, existe também o fator financeiro. É difícil você ficar rico dançando! Mas não é impossível.

PP - Tratar como uma profissão normal...

LP - Claro! Assim como é difícil você passar num concurso para juiz e ficar rico. Só que antes você precisa estudar, se formar e por aí vai. Acho que falta uma dedicação mesmo, ir atrás de aprender, não se acomodar, sempre querer mais! E tomar cuidado pra não classificar todo mundo que diz que dança como bailarino.

PP - E a questão financeira?

LP - A parte financeira da coisa... Eu, por exemplo, não recebo da prefeitura há alguns meses. Isso me desestimula sim. Mas é um começo pra mim, sabe? Preciso viver mais, aprender e ganhar experiência, criar e ensinar mais, pra ganhar mais!

PP - Existe uma vontade de expandir seus horizontes na dança?
LP - Eu pretendo sempre expandir meus horizontes. Não quero estacionar. Vou atrás da dança do mundo, pelo mundo da dança! 
PP - Como você ver seu futuro profissional?               

LP - Como eu vejo meu futuro profissional? Dançando! Eu sonho em ter reconhecimento, credibilidade e ser muito bailarina pra provar que se pode ser. Pra isso eu vou precisar mostrar e pra mostrar eu vou precisar conhecer muito do que faço. Então eu vou dar o meu melhor pra que, se for do jeito que eu vejo, meu futuro seja de realizações. Porque decidi que essa vai ser minha profissão e nem penso em mudar de ideia. Não sei e nem quero fazer outra coisa!
PP - E para terminar: Viver de arte é uma ilusão ou realmente é uma possibilidade? 

LP -
Viver de arte é uma possibilidade!

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