domingo, 6 de junho de 2010

No país do futebol, homens também dançam



Caio Moreira, 20 anos, resolveu que seria uma boa ideia aprender a dançar balé. Na família, a notícia se espalhou rápido, e todos esperavam que a primeira festa chegasse, para que pudessem fazer perguntas e colocações desconfortáveis. É assim que muitos meninos e rapazes são tratados por familiares e amigos, quando decidem trocar as chuteiras por sapatilhas. Talvez pela exigência de uma certa sensibilidade, ou pela malha colada no corpo, o preconceito contra os homens que entram nessa arte é grande e, de certa forma, ignorante. Não só com o balé, mas também na dança de salão e em outros tipos de dança, homens são considerados "afeminados" apenas por terem o prazer de dançar.
Apesar disso, o preconceito contra dançarinos nem sempre existiu. Há cerca de 500 anos atrás, no início da história do balé, o corpo de dança era formado por homens, que interpretavam papéis femininos e masculinos, não havendo, assim, a necessidade por bailarinas. Elas só entraram na arte quando, em 1832, o balé "La Sylphide", na ideia de deixar a dança mais romântica, colocou uma mulher em primeiro plano. Depois disso, o papel masculino só voltou a ter destaque graças a alguns nomes famosos, como Vaslav Nijinski e Maurice Béjart, no século 20.
Dançarino e professor de dança, Juan Pablo enfrentou dúvidas até da namorada, Juliana (também bailarina), que um dia resolveu perguntá-lo se ele era "bem resolvido". Juan disse que riu e respondeu com firmeza que era "bem resolvido até demais". Para Juliana, que antes chegou a duvidar do namorado, o medo agora é outro: "o bailarino hétero pega muito mais meninas do que os caras que tem por aí". Para nós do PE na Ponta, uma coisa é certa: independente da sexualidade de cada um, a dança é uma arte incrível que merece ser admirada por todos, e praticada por quem quiser. E você, o que acha? Participe da nossa enquete! Balé é coisa só de menina?


Foto1: Masanori Asahara, bailarino, durante workshop da fotógrafa Lois Greenfield, 2009
Foto2: Vaslav Nijinski

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