“Com a alma repleta de sonoridade e brasilidade, encontro uma dança que ferve, brinca e transborda fronteiras.” (Dany Bittencourt)
Em 33 anos de história, a Cia. de Dança paulistana, Cisne Negro, trouxe aos palcos do Teatro Santa Isabel, na noite da última sexta-feira (28) e sábado (29), a tradição e originalidade de sua companhia, com os espetáculos Revoada, Forrolins e Trama. Os trabalhos são fruto de um grupo que visa à construção inovadora da dança, de um público que aprecie a contemporaneidade, e que têm como principal característica: a dança energética, viril, de grande qualidade técnica e artística.
As coreografias vão do clássico ao conteporâneo. Em seu primeiro ato, o voejo do abismo dos cisnes negros foi um contraste de luz e morte. A revoada, autoria do francês Gigi Caciuleanu, retrata o sentido da terra negra, e o fim do fogo desta, a escuridão das cinzas. Partindo da sonoridade de Stravinsky para as composições de André Mehmari, a segunda apresentação, Forrolins, de Dany Bittencourt, insere a brasilidade na música clássica. O repertório, escrito pela revelação atual da música brasileira, constrói, em conjunto aos movimentos, as variações do balé ao forró.
Diante de uma mescla de tempos e números de coreografia, desenhos desconcertantes e ágeis, os bailarinos formam conexão perfeita entre a dança e planos estéticos. São dados os 10 minutos de intervalo, e mal é esperada a hora para que se inicie sua última obra apresentada no Recife, Trama, trabalho mais famoso da companhia. As críticas não poderiam estar erradas, a beleza da coreografia, a partir de seus figurinos, cenário, música e, claro, dança, transparece a riqueza da cultura brasileira, e o “jeitinho” do seu povo.
Festas populares, brincadeiras, folguedos, raça, e personagens contíguos em um só cenário. Coreografia criada por meio de observações deste Brasil revela a simplicidade de uma cultura repleta de alegria e espiritualidade.
O espetáculo teve, também, a participação do Balé Popular do Recife, que apresentou, entre os intervalos das aparições do Cisne Negro, suas séries Guerreiro e Sequência de Frevo. Animando o público, e repercutindo na participação deste com palmas e cantorias. A união entre os grupos têm o objetivo de destinar as rendas obtidas, dos dois dias em cartaz, para a reestruturação da companhia pernambucana, que teve sua sede incendiada em fevereiro de 2009. Além do intercâmbio cultural e artístico entre bailarinos e coreógrafos.
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