segunda-feira, 7 de junho de 2010

Dança e mamadeira





No Brasil, as escolas tendem a ser muito teóricas e acabam deixando em segundo plano as artes. As crianças são estimuladas a tratar dança e todos outros esportes como mera atividade extra-curricular, duas horas por semana, pouco importante. No entanto, cada vez mais, o mundo olha a Dança e afins omo tarefas fundamentais na vida de uma criança saudável.

A dança, em suas peculiaridades, é capaz de introduzir na vida das crianças (especialmente nelas) o hábito da concentração e da disciplina. Seguir à risca os passos ensinado pelo professor enaltece o poder da atenção. Além de tudo, dançar é um jogo de critatividade. São estes três elementos, criatividade, concentração e discplina, que a dança, como nenhum outro, tem o poder de auxiliar à criança. As escolas, hoje em dia, começam desde da fase pré a orientar os estudantes a dançarem, principalmente, em cima de um palco. Nele, a autoestima e todos os outros elemento configuram em uma linda perfomance.

O Don Quixote de Moscou

O Balé Imperial Russo trouxe seu talento a Recife nos dias 29, com o tema Don Quixote, e 30 de maio, apresentando Romeu e Julieta. Aplaudidos de pé, a esquipe de 36 dançarinos prendeu a atenção do público durante toda a performance.
No dia do irreverente Don Quixote, além dos passos leves e sincronizados, o figurino e o cenário também roubaram a cena. O ensaio é uma reprodução da exibição homônima de 1969, na Rússia. O que houve de mais curioso nessa versão atual foi o toque satírico e divertido que conferiram à peça uma aparência mais leve e menos melancólica que a original. Outro ponto surpresa foi a inserção das danças visivelmente Flamenca e Cigana nos intervalos do clássico Balé Russo.
Os vídeos de Don Quixote que rondam a internet mostram personagens menos ousados e coadjuvantes mais fracos dos que Recife conheceu. Quem viu, com certeza saiu com a impressão de que cada um dos que subiu ao palco tinha uma história trabalhada e muito tempo de ensaio minucioso. Enquanto os protagonistas encenam, o elenco flerta, brinca, briga e dança individualmente. Ritmo é, de fato, foi a melhor qualidade da noite. O Balé da Rússia pouco tem de verdadeiro clássico. Já de Imperial, tem das sapatilhas aos coques presos no alto de cabelo.


Meninos e Homens



Confira o video-dança Meninos e Homens, da Cia Ballet Baião.
A coreografia de Gerson Moreno retrata a inquietação e insastifação do homem no advento do ser, interpretados pelo coreógrafo e Cacheado Braga em 2007.



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domingo, 6 de junho de 2010

No país do futebol, homens também dançam



Caio Moreira, 20 anos, resolveu que seria uma boa ideia aprender a dançar balé. Na família, a notícia se espalhou rápido, e todos esperavam que a primeira festa chegasse, para que pudessem fazer perguntas e colocações desconfortáveis. É assim que muitos meninos e rapazes são tratados por familiares e amigos, quando decidem trocar as chuteiras por sapatilhas. Talvez pela exigência de uma certa sensibilidade, ou pela malha colada no corpo, o preconceito contra os homens que entram nessa arte é grande e, de certa forma, ignorante. Não só com o balé, mas também na dança de salão e em outros tipos de dança, homens são considerados "afeminados" apenas por terem o prazer de dançar.
Apesar disso, o preconceito contra dançarinos nem sempre existiu. Há cerca de 500 anos atrás, no início da história do balé, o corpo de dança era formado por homens, que interpretavam papéis femininos e masculinos, não havendo, assim, a necessidade por bailarinas. Elas só entraram na arte quando, em 1832, o balé "La Sylphide", na ideia de deixar a dança mais romântica, colocou uma mulher em primeiro plano. Depois disso, o papel masculino só voltou a ter destaque graças a alguns nomes famosos, como Vaslav Nijinski e Maurice Béjart, no século 20.
Dançarino e professor de dança, Juan Pablo enfrentou dúvidas até da namorada, Juliana (também bailarina), que um dia resolveu perguntá-lo se ele era "bem resolvido". Juan disse que riu e respondeu com firmeza que era "bem resolvido até demais". Para Juliana, que antes chegou a duvidar do namorado, o medo agora é outro: "o bailarino hétero pega muito mais meninas do que os caras que tem por aí". Para nós do PE na Ponta, uma coisa é certa: independente da sexualidade de cada um, a dança é uma arte incrível que merece ser admirada por todos, e praticada por quem quiser. E você, o que acha? Participe da nossa enquete! Balé é coisa só de menina?


Foto1: Masanori Asahara, bailarino, durante workshop da fotógrafa Lois Greenfield, 2009
Foto2: Vaslav Nijinski

8ª Mostra de Dança Contemporânea


Teve início nessa sexta-feira (4) e vai até o dia 20 a Mostra de Dança Contemporânea. Na sua oitava edição, a Mostra é promovida pelo Centro de Formação de Pesquisa das Artes Cênicas Apolo-Hermilo, equipamento cultural da Prefeitura do Recife. A mostra leva aos palcos dos teatros Apolo e Hermilo Borba Filho espetáculos locais e nacionais, tendo como destaques pernambucanos os espetáculos '5 Minutos para Blackout', 'Real/Duplo' e 'Be'. Já entre os nacionais, uma das apresentações mais esperadas é a da catarinense Marcela Reichelt, com a montagem 'Como Risco em Papel'. As apresentações acontecem sempre de quinta a domingo, e as entradas custam R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia).


Confira a programação completa:


Teatro Apolo

4 de Junho - Real/Duplo

5 de Junho - 5 Minutos para Blackout

6 de Junho - 5 Minutos para Blackout

10 de Junho - Real/Duplo

11 de Junho - Real/Duplo

13 de Junho - Brasis

17 de Junho - Em Caixa

18 de Junho - Em Caixa

20 de Junho - Magia Negra


Teatro Hermilo

5 de Junho - BE

6 de Junho - BE

12 de Junho - Jorge Kildery (solo interpretado pelo autor)

- O que tenho a oferecer (solo de Orunmillá) - 10 minutos

- Por toda minha vida (duo de Allan Delmiro e Érika Alves) - 10 minutos

- Fake (duo de Orunmillá e Jorge Kildery) - 15 minutos

13 de Junho - Jorge Kildery (solo)

- O que tenho a oferecer (solo de Orunmillá) - 10 minutos

- Fake (duo de Orunmillá e Jorge Kildery) - 15 minutos

19 de Junho - Como Risco em Papel

20 de Junho - Como Risco em Papel



Serviço

Horário: 20h nas quintas, sextas e sábados (Teatro Apolo e Hermilo); 19h aos domingos (Teatro Apolo); 20h aos domingos (Teatro Hermilo)

Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)

Informações: 3355-3320
Foto: 5 Minutos Para Blackout/JC Online

DANÇA E TERAPIA


A dança vem ultrapassando as barreiras do exercício físico e da arte, e passa também a ser considerada uma terapia. Pessoas tímidas usam a dança como um artifício para se expressarem melhor, já outros  vêem a dança como uma distração para os problemas.
 A depressão, por exemplo, um problema que atinge muitas pessoas, pode ser tratado através de aulas de dança. A psicóloga, Adriana Tavares, diz que “ a dança pode ajudar e muito, a progressão dos tratamentos psicológicos, mas que não pode substituí-los, mas sim dar um bom suporte.”
Além de auxiliar nos problemas psicológicos, a dança trabalha a mente e o corpo, dando uma sensação de liberdade para quem pratica, facilitando o convívio social através da coletividade exercida na dança, melhorando a auto-estima  e contribui para a construção de valores como respeito e educação.
A universitária Ayla William, que prática dança desde criança, fala como o exercício traz melhorias para a sua vida. “Desde pequena aprendo com a dança a precisar do outro para acertar o passo, assim a convivência e a socialização com outras pessoas fica cada vez mais fácil.” Além disso a dança ajuda a Ayla enfrentar os problemas do dia a dia. “Depois de um dia estressante na faculdade, no trânsito, em casa, chegar ao fim do dia e ir para aula de dança, alivia todo o estresse do dia inteiro e você vai dormir bem, com a cabeça tranqüila, depois da sensação de liberdade e relaxamento que a dança traz.”  

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Dança x Profissão



ENTREVISTA // Ludmila Pessoa
“A gente que quer dançar precisa beber de várias fontes, como faz o escritor, o ator, etc.”

Ludmila Pessoa, 22, se considera bailarina há 4 anos mas dança desde dos 9 anos. Ela fala de suas aprendizagens com humildade, afirma que nem todo mundo que dança é bailarino e confirma que viver de dança é sim uma profissão tal qual qualquer outra.

PE NA PONTA - Qual foi seu primeiro contato com a dança?

LUDMILA PESSOA - Meu primeiro contato com a dança foi numa academia que fica perto da minha casa, eu tinha 9 anos, aproximadamente. À princípio, as aulas seriam de ballet, mas a professora propôs aulas de dança em geral e terminamos dançando “É o Tchan”. (risos) O curso acabou e ninguém sabia o que era frevo, maracatu, coco e muito menos ballet clássico. Anos depois, comecei a fazer ginástica rítmica mas depois mudei para a dança de salão e permaneci até os 13 anos. Passei um tempo parada e só aos 18 anos que decidi voltar a dançar e entrei num grupo de dança contemporânea.

PP - Há quanto tempo você vive de dança?
LP - Eu pensava em ser “alguém” na vida, estudava pra concurso e vestibular, mas sempre tinha a dança dentro de mim. Até que aos 19 anos, encontrei a Cia dos Homens e pronto! Desisti de tudo e disse que ia dançar. A culpada disso tudo se chama Cláudia São Bento. Ela me mostrou que dança realmente é coisa séria, que se estuda pra aprender, que exige dedicação, amor, disciplina. Mas viver de dança mesmo, eu considero desde que decidi ser bailarina. Em setembro completam 4 anos.
PP - O que é ser uma bailarina?
LP - Um bailarino precisa de conhecimento de várias coisas. Ele não pode se limitar a um tipo de dança. A gente que quer dançar precisa beber de várias fontes, como faz o escritor, o ator, etc. Assim a gente tem um domínio do que se decide fazer dentro da dança e ganha uma independência maior.
PP - Em que momento você se viu pronta para ensinar suas aprendizagens?
LP - Comecei a estudar muito. Fui atrás de livros, aulas... Fiz muitas aulas de contemporânea, frevo, teatro, circo e sempre ballet clássico. Ano passado, fui chamada para fazer parte de um projeto da prefeitura e dar aula de dança para crianças. Deixei bem claro que só ensinaria o que realmente aprendi e só passo aos meus alunos aquilo que está dentro da minha sabedoria e conhecimento. Mas também, ter a humildade e disposição de aprender sempre!
PP - Onde você dá aula? Como é a recepção dos seus alunos?
LP - Eu dou aula uma vez na semana, na Escola Magalhães Bastos, Várzea. Quando termina a aula todos me abraçam e dizem que não querem que acabe e que vai demorar muito para a próxima aula. São crianças pobres, carentes, que encontram nas aulas um mundo diferente e os fazem respirar um ar que leva prazer para eles. É de fato o que eles precisam!
PP - Qual a maior dificuldade que um bailarino profissional sofre com o mundo atual? Preconceito, reconhecimento, valorização...

LP - Acho que o que mais grita como dificuldade, para mim, é o preconceito. Tem muita gente que ainda pensa na coisa do “modelo social”, que para ser alguém você precisa ter algo e que para ser bailarino não precisa estudar e nem se ganha dinheiro. E sim, existe também o fator financeiro. É difícil você ficar rico dançando! Mas não é impossível.

PP - Tratar como uma profissão normal...

LP - Claro! Assim como é difícil você passar num concurso para juiz e ficar rico. Só que antes você precisa estudar, se formar e por aí vai. Acho que falta uma dedicação mesmo, ir atrás de aprender, não se acomodar, sempre querer mais! E tomar cuidado pra não classificar todo mundo que diz que dança como bailarino.

PP - E a questão financeira?

LP - A parte financeira da coisa... Eu, por exemplo, não recebo da prefeitura há alguns meses. Isso me desestimula sim. Mas é um começo pra mim, sabe? Preciso viver mais, aprender e ganhar experiência, criar e ensinar mais, pra ganhar mais!

PP - Existe uma vontade de expandir seus horizontes na dança?
LP - Eu pretendo sempre expandir meus horizontes. Não quero estacionar. Vou atrás da dança do mundo, pelo mundo da dança! 
PP - Como você ver seu futuro profissional?               

LP - Como eu vejo meu futuro profissional? Dançando! Eu sonho em ter reconhecimento, credibilidade e ser muito bailarina pra provar que se pode ser. Pra isso eu vou precisar mostrar e pra mostrar eu vou precisar conhecer muito do que faço. Então eu vou dar o meu melhor pra que, se for do jeito que eu vejo, meu futuro seja de realizações. Porque decidi que essa vai ser minha profissão e nem penso em mudar de ideia. Não sei e nem quero fazer outra coisa!
PP - E para terminar: Viver de arte é uma ilusão ou realmente é uma possibilidade? 

LP -
Viver de arte é uma possibilidade!